As Pancs – Plantas Alimentícias não Convencionais – ganham as gôndolas e chegam à mesa

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Foto Google

Lírio-do-brejo, bertalha, mutuquinha, pobre-velho, serralha, capeba, vinagreira, ariá, araruta e ervilha-borboleta são nomes poucos conhecidos, mas que vem atraindo a atenção e o respeito de grandes chefs e comensais.

Conhecidas como Pancs – Plantas Alimentícias Não Convencionais – essas espécies ainda são pouco exploradas nas cozinhas e pouco utilizadas no dia a dia, na maioria das vezes, por falta de conhecimento. De acordo com dados das Organizações das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), graças aos interesses comerciais da agroindústria, o número de plantas consumidas pela humanidade caiu de 10 mil para apenas 170.  Segundo a nutricionista e extensionista rural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais – (Emater), Ângela Márcia Monteiro Tavares, as pancs são extremamente importantes para a segurança alimentar. “Além do teor de nutrientes, são muito versáteis no seu preparo o que acaba colaborando para a diversificação da alimentação.”, explica.

As pancs são encontradas facilmente nos quintais, hortas e em matas, crescem de forma espontânea e muitas vezes as tratamos como erva daninha, arrancando-as sem dó. No livro “Plantas Alimentícias não Convencionais (panc) no Brasil” de 2014, o biólogo Valdely Kinupp e o engenheiro agrônomo Herri Lorenzi, catalogaram 351 espécies de plantas entre nativas ou não, revelando uma infinidade de sabores e texturas.  Segundo Ângela, entre as plantas catalogadas alguns nomes já são presentes nas cozinhas “Algumas variedades já ganharam espaço em certos nichos de mercado como o ora-pro-nóbis em gôndolas de alimentos orgânicos nos supermercados, feiras livres e como tema de festivais gastronômicos”, explica a nutricionista que revela ainda: “A maioria das plantas não são conhecidas do público em geral. A exemplo disto temos o mangarito, a azedinha, a araruta e uma infinidade de alimentos, como as flores que são em sua maioria comestíveis”.

Para não dizer que não falei das flores – Do jardim para a mesa. Assim como as pancs – que invadem os quintais, as flores chegam às cozinhas não só mais em decorações, elas perfumam e enriquem os pratos. Como é o caso da Chaguinha – Capuchinha como é mais conhecida e encontrada nos mercados, feiras e hortas.

Nativa do Peru, a flor foi introduzida na Europa no final do século XVI, e hoje é cultivada em todo o mundo. Com característica picante e de leve amargor, as folhas e as flores lembram agrião e a mostarda e podem ser adicionadas a saladas, omeletes, empanadas e até mesmo utilizadas em tortas doces.

Rica em vitamina C e minerais, a flor é versátil e enriquece as preparações, quando fatiada em pequenos pedaços e dá sabor aos vinagretes e molhos. Já as folhas mais suculentas e com sabor intenso são utilizadas cruas ou salteadas e servidas como guarnições. A magia da flor está nos frutos que são aproveitados como picles que lembram bastante às famosas alcaparras. Além de charmosa, a flor é digestiva e auxilia na limpeza do sangue retirando as impurezas e dando um charme a mais no prato e na saúde.

Mesmo que lindas e saborosas a nutricionista recomenda que “o mais prudente não é ir se aventurando pelo jardim, opte pelas cultivadas de forma orgânica e aquelas mais conhecidas, na dúvida pesquise. Algumas podem ser perigosas para a saúde”. Lavanda, amor-perfeito, calêndula, borago, rosa, viola-odorata, alecrim e as flores da abóbora, do manjericão, da cebolinha e do tomilho, além de lindas, são comestíveis e ficam perfeitas em saladas, pratos quentes, sobremesas e drinques, como no caso do Restaurante Rústico Cozinha Internacional, no Buritis, que usa mini rosas no preparo de drinques e das quitandeiras de Congonhas, que em 2015, após um curso de capacitação promovido pela Emater criaram um banco de mudas.

Segundo a nutricionista, após a capacitação o viveiro de mudas está aos cuidados da senhora Solange que cultiva em sua propriedade e vende no Mercado do Produtor Rural e em um balaio que leva até o Centro de Congonhas. “Após despertar o interesse das quitandeiras através do preparo, agora estamos promovendo acesso local às hortaliças para que a população passe a consumi-las mais frequentemente e envolvendo o setor de saúde e de educação do Município para realizar um trabalho consistente e duradouro de educação nutricional”, finaliza Ângela Tavares.

Texto publicado no blog Ingrediente da Vez

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Ana Sandim
Jornalista, gastrônoma e mestra cervejeira por formação. Editora do blog "Ingrediente da Vez", que compartilha e difunde a gastronomia em sua essência prezando pelo slogan: "Aqueles que cozinham rindo e bebendo são os mais felizes". Instagram: @ingredientedavez|Facebook: @ingredientedavez | Site: ingredientedavez.com.br.