Coronavírus: artesãos da feira de artesanato de Lagoa Santa buscam alternativas para sobreviver

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Foto - CMLS

A Feira de Artesanato de Lagoa Santa, um dos pontos turísticos mais famosos da cidade, está paralisada desde o dia 14 de março. O não funcionamento atende ao decreto do prefeito Rogério Avelar, que para combater o avanço do novo coronavírus, suspendeu o comércio e atividades comerciais que levam à aglomeração de pessoas.

De acordo com Leonardo Bastos, responsável pela Feirinha (apelido carinhoso dado pelos artesãos e frequentadores), cerca de 70% dos associados dependem exclusivamente da renda da feira para sobreviver. “Estamos passando por uma situação difícil, estamos há seis finais de semana sem nossa querida “Feirinha”.”, lamenta.

Leonardo disse que a feira antes de ser paralisada tinha um público de 2.000 pessoas por domingo. “A feira se tornou um ponto de confraternização e diversão da população de Lagoa Santa e turistas que visitavam nossa cidade. Todos os domingos tínhamos shows com bandas e diversão para as crianças.”, conta.

Foto – Redes Sociais

Adriana Cristina Silva Santos (50) é expositora há 03 anos na feira e responsável pela empresa Q’Arte . Ela contou que quando ficou sabendo da paralização foi como “se tivesse perdido o chão”. “Nunca se esperava algo tão repentino e que interrompesse tudo, sem uma ordem ou compensação. O governo federal vem prometendo ações desde 15/03, mas não chegou até nós, os profissionais autônomos e artesãos.”, lamenta.

Bastos confirmou a informação e disse que não teve apoio de ninguém. “Na verdade, nós mesmos contratamos um profissional do marketing digital que está montando uma plataforma de vendas online. Queria pedir à população de Lagoa Santa que nos siga nas redes sociais @lagoartesanta e que nos dê a preferência quando for comprar. Os produtos feitos pelos nossos artesãos são únicos e de qualidade”.

Decepção – A Adriana contou em entrevista ao Jornal Minas de Fato que a alternativa que sobrou foi “regrar comida e rezar”.  Ninguém procurou os artesãos para ajudar. Até o momento “só houve muita “falação”, porém, pouco resultado efetivo”. “As poucas vendas que conseguimos fazer são para comprar comida para nossas casas. Percebemos que teremos que nos inscrever nos grupos da prefeitura: economia solidária, CAT e outros. A ajuda vem somente de outros colegas expositores”, explicou.

A artesã disse que se reinventou. Começou a estudar técnicas de contabilidade e se dar prioridade as vendas online. “Melhoramos e mudamos as postagens nas redes sociais, criamos blogs e página com catálogo de peças que temos a disposição para pronta entrega e passamos a entregar os pedidos com uma taxa de R$8,00. Nas primeiras semanas ficamos muito perdidos e inseguros porque imaginei que as pessoas fossem comprar apenas comida e remédios”, disse.

Atualmente são 76 associados divididos em três categorias: artesanato, gastronomia e produção rural. A feira é uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Lagoa Santa, através da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, em parceria com a Associação de Artesãos Lagoartessanta.

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Alba Alves
Jornalista graduada pela Faculdade Estácio de Sá-BH. Trabalhou como repórter do jornal Conexão Notícias, jornal Diferente e revista Impactto. Já foi a jornalista responsável por edições do informativo Núcleo Caminhos para Jesus e a revista da empresa Cimentos Liz. Escreveu para Associação Mineira de Supermercados e fez trabalho voluntário para o jornal Porta Voz Venda Nova. É moradora de Lagoa Santa e gosta de contar histórias!