Luzia, a primeira brasileira, ressurge das cinzas mais uma vez

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Foto: Divulgação

Um incêndio de grandes proporções arrasou a história de milhares de anos em seis horas. As labaredas queimaram o Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro, e documentos, amostras biológicas e fósseis que eram exibidos dentro da instituição científica mais antiga do país, foram abolidos. Muitos historiadores, pesquisadores e brasileiros amadores se viram tristes, assistindo as cenas do descaso com a cultura nacional.

No dia 03 de setembro o fogo eliminou mais de 20 milhões de itens, não deixou feridos, entretanto machucou corações. Seria o fim do Museu Nacional? Muitos se perguntaram, e agora? Na época, foi comum ver, nos noticiários mundo afora, funcionários em meio aos escombros, chorando e se lamentando pela tristeza que aquele estrago representava.

Contudo, quase 40 dias após o ocorrido, uma boa notícia veio a calhar. O crânio de Luzia, o fóssil mais antigo das Américas, foi encontrado. Cláudia Rodrigues Carvalho, arqueóloga e responsável pelo anúncio, disse que o fóssil havia sido danificado, mas estava ali, aos olhos de quem quisesse ver. Luzia, nossa querida Luzia, ressurgiu para o mundo. “Nós conseguimos recuperar o crânio de Luzia. É claro que, em virtude do acontecimento, sofreu algumas alterações, tem alguns danos. Mas nós estamos comemorando. O crânio foi encontrado fragmentado, mas a gente vai trabalhar na reconstituição.”, diz Cláudia.

Foto: Marizilda Cruppe

A coordenadora da equipe de resgate do acervo remanescente do museu, disse que os danos foram menores do que eles imaginavam. A fragmentação do crânio ocorreu devido ao derretimento da cola que mantinha os pedaços unidos. “Estamos muito otimistas com o achado e tudo que ele representa. Ele estava em um local preservado, um local estratégico.”, conta.

O fóssil estaria guardado em uma caixa de metal e por isso, desde o início, os pesquisadores tinham esperança de encontra-la. Parece que a escuridão não é mesmo lugar para Luzia. Após a confirmação, os especialistas já começaram a se mobilizar para iniciar a “remontagem”. Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional, disse que 80% dos fragmentos já foram identificados.

Foto: Agência O Globo

O fóssil de Luzia tem importância histórica mundial, foi encontrado na década de 1970 e mudou a teoria da povoação do continente americano. Graças ao trabalho do bioantropólogo Walter Neves e do arqueólogo André Prous, Luzia virou celebridade da ciência mundial em 1998. E o mais legal de tudo isso é que ela foi encontrada aqui, em Lagoa Santa. Os 20 anos de esquecimento do fóssil, dentro de uma gaveta acolchoada, por um lado foi positivo. Isto salvou a história de Luzia.

O bom de tudo isso é que outros itens também foram localizados e até fevereiro de 2019 os pesquisadores continuam com as buscas. Boa Sorte! E seja bem vinda Luzia.

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