Mais uma criança órfã e duas famílias que choram em Claro dos Poções

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Vítimas de homicídio em Claro dos Poções - MG

No dia (28/05) um crime chocou os moradores da cidade de Claros dos Poções, próximo a Montes Claros, região norte de Minas Gerais. Um ex-marido possessivo e agressivo matou a ex-esposa e um vizinho que ele achava que era amante dela.

Jéssica Mayane Lopes, tinha 30 anos, havia feito aniversário há dois meses, e estava tentando voltar a viver sua vida, depois que o marido Carlos Henrique Alves Muniz (29) a havia abandonado.

Diferença de Jéssica após a separação e durante o casamento.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Minas de Fato, Cleonice Lopes dos Reis, mãe da Jessica, contou que a filha vivia em cárcere privado e já ia pedir o divórcio. “Ele não queria uma esposa, ele queria uma escrava”.

Segundo informações fornecidas por Cleo, como é conhecida na região, Jéssica vivia há mais de 10 anos com o Carlos e levava uma vida sem amor, carinho ou diálogo. “Tudo com ele era na brutalidade. Ele deixou minha filha sozinha com minha neta e foi trabalhar perto de BH. Já tinha mais ou menos quatro meses que ele não procurava saber da filha e não mandava dinheiro para o sustento da casa. Minha filha vivia com o bolsa família que recebia do governo e tinha que comprar ração para as cachorras e galos de briga que ele cria’, desabafou.

Carlos tem o perfil típico de um agressor violento. Geralmente eles têm dificuldade para lidar com a raiva, são impulsivos, e tem outras dificuldades de relacionamento. A maior dificuldade para identificar estes homens na sociedade é que eles são vistos pelo outros como “cidadãos de bem”. Trabalham, tem uma vida social, é réu primário e de bons antecedentes, na maioria dos casos, o agressor é uma “pessoa normal”.

Cleo deu detalhes do dia do crime. A neta de 07 anos estava na cena e viu quando o pai chegou com flores para a mãe, tirou uma faca enorme da bolsa e começou a esfaqueá-la. “Minha neta estava no banho, minha filha estava sentada no sofá, o Carlos tinha avisado que chegaria no sábado, porém ele chegou na sexta. Ele entrou na casa, colocou seis orquídeas em cima da mesa, abriu uma bolsa que carregava e tirou a faca. Foram cinco golpes na minha filha. Minha neta me contou que ele falou para ela buscar ajuda e que se não morresse, ele voltaria para matá-la”.

A mãe de Jéssica disse que o Carlos ameaçava a filha de morte, não deixava ela ter amigos e já agrediu a neta por ela ter comentado com uma amiguinha que ele havia batido na mãe. “Jéssica sofreu muito com esse homem, ela não falava, acredito que seja por medo do que ele seria capaz”, disse.

Além dos maus tratos e agressões, Carlos criava galos de briga e participava de “rinhas que é considerado crime ambiental. Ele também criava passarinhos que, de acordo com artigo 29 da Lei 9.605/98, de crimes ambientais, são proibidos de viverem em cativeiro. A verdade é que Carlos já era envolvido com diversos crimes, antes do pior de todos que é o homicídio.

Infelizmente, alguns sites e redes sociais estão compartilhando informações falsas de que Jéssica teria traído ele e isso teria motivado o crime. Na verdade, Jéssica estava só tentando ser feliz e viver uma vida normal para uma mulher de 30 anos. “Minha filha não usava maquiagem, não cortava o cabelo, ele não deixava. Quando ele a abandonou, ela começou a sair com as amigas e ia pedir o divórcio. Ela estava esperando o dia que ele viria a cidade para conversarem. O que me deixa chateada é ouvir que minha filha estava tendo um caso e por isso morreu. Isso é mentira, minha filha estava tentando viver”, desabafa a mãe de Jéssica.

A filha do Casal – A filha de 07 anos perguntou pela mãe ontem (29/05) e a vó teve que ser forte. Cleo contou que disse “precisamos ser fortes minha neta. Você me dá forças e eu dou forças pra você. Sua mãe estará olhando por nós”.A filha foi quem buscou socorro dos familiares para a mãe.

A outra vítima – Reinaldo Medeiros de Moura foi a segunda vítima do Carlos. Ele era conhecido como Pepi e foi sepultado hoje (30/05) de manhã. Carlos após matar a ex-esposa, saiu de casa e, segundo vizinhos, disse: “Vou ali pra matar ou pra morrer”. Minutos depois ele matou o Reinaldo na feirinha que é muito frequentada na cidade.

Reinaldo era borracheiro

Denuncie! Essa é a única forma de sobreviver. – Essa história serve para que outras mulheres que vivem este tipo de relacionamento denuncie. O Ligue 180 é um serviço de utilidade pública essencial para o enfrentamento à violência contra a mulher. Além de receber denúncias de violações contra as mulheres, a central encaminha o conteúdo dos relatos aos órgãos competentes e monitora o andamento dos processos. O 181 é o Disque Denúncia da Polícia Militar e a própria ligação serve como um registro administrativo, que possibilita de imediato a instauração de um processo investigatório.

Temos ainda a Lei Maria da Penha que reconhece como violência doméstica e familiar contra mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero. Não precisa ser violência física, a psicológica e até patrimonial se enquadram no artigo .

Leia também – Nota Oficial da Prefeitura de Claro dos Poções sobre o crime.

Nota da Prefeitura publicada dia 29/05
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Alba Alves
Jornalista graduada pela Faculdade Estácio de Sá-BH. Trabalhou como repórter do jornal Conexão Notícias, jornal Diferente e revista Impactto. Já foi a jornalista responsável por edições do informativo Núcleo Caminhos para Jesus e a revista da empresa Cimentos Liz. Escreveu para Associação Mineira de Supermercados e fez trabalho voluntário para o jornal Porta Voz Venda Nova. É mãe do Leonel, moradora de Lagoa Santa e gosta de contar histórias!