Moradores limpam praça e dão “tapa de luva” em poder público de Lagoa Santa

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Foto - Erika Suzanna Bányai

A praça Israel Pinheiro foi revitalizada após a mobilização de cinco moradores da Lapinha, bairro de Lagoa Santa, região metropolitana de Belo Horizonte. As fotos que foram postadas no domingo, dia 03 de maio, movimentaram as redes sociais e aguçou a curiosidade de todos que se perguntaram: quem eram aqueles rapazes que estavam limpando um ambiente público sem nenhuma remuneração? Entramos em contato para entender o que motivou essa bela atitude que mostrou para todos que a preocupação com o próximo e o instinto protetor ainda existem no mundo.

O mecânico de manutenção, Romerito Costa (34), um dos envolvidos na limpeza, contou em entrevista para o Jornal Minas de Fato que já estava indignado com o descaso do poder público com bairro. Além disto, ele explicou que a dengue continua assombrando moradores da região que é muito arborizada e cheia de jardins públicos. “Nossa pracinha é a porta de entrada de um patrimônio histórico (Gruta da Lapinha), além disto, a praça é um local de convivência pública. Não podemos deixa-la com mato alto ou com acúmulo de lixo.”, desabafa.

Alisson Luiz Batista Costa (33) também estava cansado de esperar. Ele disse que outras pessoas do bairro já haviam pedido aos representantes locais a limpeza da praça. Porém, o único retorno que tiveram foi que o “ofício já havia sido enviado ao executivo”. “Se cada um fizer esse tipo de ação, além de ser benéfico para a comunidade, mostramos que a população não aguenta mais essa falta de respeito. Sabemos que a prefeitura de Lagoa Santa está trabalhando, mas porque alguns bairros são atendidos com frequência e o nosso não?”, pontua.

“A comunidade em geral tem que entender que ela tem o poder de resolver questões do bairro. Essas ações são um tapa de luva na cara do poder público”.

Os jovens contaram com o apoio de outros três moradores Djalma, Nikolas e Elizio Costa e se sentem motivados ao fazer o bem para comunidade local. “Este pequeno grupo de pessoas pretende transformar o sentimento de indignação em ações de melhoria para toda região. Sabemos que essa não é nossa obrigação e entendemos que essa manutenção é de responsabilidade do poder público. Ele recebe nossos impostos para vários fins, inclusive, zelar por vias e espaços públicos. A comunidade em geral tem que entender que ela tem o poder de resolver questões do bairro. Essas ações são um tapa de luva na cara do poder público.”, diz Romerito.

O Alisson contou que vai manter o contato com os outros para continuar com as ações. “Pretendemos fazer novamente, não queremos que seja somente essa. Temos outros pontos do bairro precisando de melhorias.”, finaliza.